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Novas discussões da ICAO mostram que o inglês aeronáutico continua sendo tratado como um elemento diretamente relacionado à segurança operacional — e não apenas como uma exigência para obtenção de licença.

Em maio de 2026, a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) realizou, em Paris, a 48ª reunião da Language Proficiency Requirements Implementation Task Force (LPRI TF/48), grupo responsável por discutir a implementação dos requisitos de proficiência linguística na aviação.

O encontro reuniu especialistas de diferentes Estados e organizações internacionais e teve como um dos focos a melhoria da clareza, consistência e confiabilidade das avaliações de proficiência linguística, além do fortalecimento da supervisão desses processos.

O movimento é relevante para pilotos e profissionais da aviação porque reforça uma questão que muitas vezes é esquecida durante a preparação para o ICAO ou SDEA:

não basta saber inglês. É preciso conseguir utilizá-lo adequadamente dentro do contexto operacional da aviação.

O inglês continua sendo uma questão de segurança

A própria ICAO estabelece o Level 4 — Operational como nível mínimo operacional de proficiência linguística para os profissionais abrangidos pelos requisitos aplicáveis.

A organização destaca que a proficiência linguística está relacionada à capacidade de comunicação em situações reais de radiotelefonia e em contextos profissionais. Entre os aspectos considerados estão a capacidade de falar e compreender a língua utilizada nas comunicações aeronáuticas.

Isso ajuda a explicar por que uma preparação baseada exclusivamente em inglês genérico pode não ser suficiente.

O profissional precisa desenvolver a capacidade de compreender informações, responder com clareza, interagir, esclarecer informações e lidar com situações inesperadas dentro de um contexto relacionado ao trabalho.

O que mudou nas discussões da ICAO em 2026?

Um dos pontos destacados pela LPRI TF/48 foi justamente a existência de diferenças na implementação dos requisitos de proficiência linguística entre diferentes regiões.

A reunião também apontou desafios relacionados ao uso inconsistente da fraseologia padrão, barreiras linguísticas e diferenças nos processos de teste e supervisão. Como resposta, a ICAO continua trabalhando no desenvolvimento de materiais de orientação e na capacitação de profissionais responsáveis pela fiscalização desses requisitos.

Isso mostra uma preocupação cada vez mais clara com a qualidade e a consistência do processo de avaliação.

E existe uma consequência importante para quem está se preparando para uma prova de proficiência:

Preparar-se para o ICAO não significa simplesmente estudar mais inglês. Significa entender exatamente quais habilidades precisam ser demonstradas.

E no Brasil?

No Brasil, essa realidade aparece no Santos Dumont English Assessment (SDEA), exame desenvolvido pela ANAC para avaliar a proficiência linguística dos pilotos brasileiros de acordo com os requisitos estabelecidos no RBAC 61 e relacionados ao Anexo 1 da ICAO.

O SDEA avalia a capacidade do piloto de utilizar a língua inglesa de maneira eficaz em contexto operacional.

Na primeira etapa, o candidato passa por uma entrevista oral que envolve diferentes situações relacionadas à aviação, incluindo interação como piloto e situações rotineiras, inesperadas ou de emergência.

Entre as habilidades avaliadas estão:

Um detalhe importante é que o resultado final não é simplesmente uma média dessas habilidades. Segundo a regulamentação da ANAC, o nível final corresponde ao menor nível atribuído entre as seis habilidades avaliadas.

Isso muda completamente a forma como a preparação deve ser encarada.

Não é sobre decorar respostas

Uma preparação consistente precisa desenvolver a capacidade de se comunicar.

A própria ICAO orienta que os testes de proficiência devem oferecer oportunidades suficientes para que o candidato utilize o inglês em contextos relacionados ao trabalho e demonstre suas habilidades linguísticas. A organização também diferencia proficiência linguística de conhecimento técnico: o objetivo não é transformar a prova em um teste de conhecimentos específicos de sistemas ou procedimentos aeronáuticos.

Por isso, decorar respostas prontas pode criar uma falsa sensação de preparação.

O desafio real está em conseguir compreender, organizar uma resposta, explicar uma situação, sustentar uma interação e lidar com aquilo que não estava previamente previsto.

É justamente nesse ponto que o inglês para aviação se distancia do inglês convencional.

O que isso significa para quem vai fazer o ICAO ou SDEA?

Significa que a preparação deve começar pelo diagnóstico.

Antes de simplesmente escolher um material ou estabelecer uma quantidade de horas de estudo, é importante entender onde o aluno está, quais habilidades precisam de desenvolvimento e qual caminho faz sentido para chegar ao nível desejado.

A própria ICAO mantém iniciativas voltadas à melhoria da implementação dos requisitos de proficiência e à capacitação de avaliadores e profissionais envolvidos nesse processo. Em 2026, por exemplo, a organização mantém treinamento específico para supervisão da implementação dos requisitos de proficiência linguística.

Para o aluno, a mensagem é simples:

quanto mais específico é o objetivo, mais específica precisa ser a preparação.

Estudar inglês é uma coisa.

Preparar-se para demonstrar proficiência em inglês dentro do contexto da aviação é outra.

E, para quem precisa realizar o ICAO ou o SDEA, entender essa diferença pode mudar completamente a maneira de estudar.

Preparação começa antes da prova

O exame acontece em um determinado dia.

A preparação, porém, começa muito antes.

Conhecer seu nível atual, identificar suas dificuldades, entender os critérios avaliados e construir um roteiro de estudos coerente com seu momento são etapas que podem tornar o processo muito mais direcionado.

Em 2026, enquanto a ICAO continua trabalhando para fortalecer a consistência e a qualidade da implementação dos requisitos de proficiência linguística, uma coisa permanece central:

comunicação clara e eficaz continua sendo parte essencial da segurança da aviação.

E é por isso que a preparação para o ICAO/SDEA precisa ir além de simplesmente “estudar inglês”.

Ela precisa preparar você para usar o inglês quando realmente importa.

Fontes: ICAO — Language Proficiency; ICAO LPRI TF/48 (maio de 2026); ICAO Training; ANAC — SDEA e IS 61-003D.

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